Depois de mais de três décadas, a Marriott International está a mudar a sua estratégia global de bebidas. A gigante da hospitalidade anunciou que substituirá a Pepsi pela Coca-Cola como fornecedora exclusiva de bebidas em sua enorme rede internacional.

Esta transição marca o fim de um relacionamento que começou em 1992. A implementação está prevista para começar neste verão, cobrindo a vasta área de atuação da Marriott de mais de 9.800 propriedades e aproximadamente 1,78 milhão de quartos abrangendo 145 países e territórios.

A Economia da Mudança

A decisão de abandonar a Pepsi parece ser motivada tanto pela preferência do consumidor como por incentivos financeiros significativos. Embora os termos específicos do novo contrato da Coca-Cola permaneçam privados, a escala do negócio é imensa.

A mudança afeta cerca de 450 milhões de diárias. Mesmo um ganho marginal de apenas cinco centavos por diária se traduziria em aproximadamente US$ 22,5 milhões em receita adicional para o Marriott. Além das simples tarifas de quarto, o acordo abrange uma ampla gama de fontes de receita, incluindo:
– Restaurantes e bares de hotéis
– Lobby mercados e máquinas de venda automática
– Banquetes e instalações para reuniões
– Tomadas à beira da piscina

Analistas do setor sugerem que o acordo provavelmente inclui uma combinação de preços mais baixos de xarope, descontos baseados em volume, suporte a equipamentos e fundos de marketing dedicados.

O “Paradoxo da Pepsi” e o sentimento do consumidor

A mudança aborda um ponto de atrito de longa data na satisfação dos hóspedes. A Marriott informou que mais de 70% de seus hóspedes preferem o portfólio da Coca-Cola.

Essa preferência destaca um fenômeno frequentemente discutido no marketing como o “Paradoxo da Pepsi”. Embora a Pepsi tenha historicamente um bom desempenho em testes cegos de sabor, a Coca-Cola tende a manter uma liderança dominante na preferência de marca no mundo real. Essa discrepância geralmente decorre dos perfis de sabor: a Pepsi é frequentemente conhecida por ser mais doce, o que pode ser agradável em um único gole, mas pode se tornar “enjoativo” durante o consumo prolongado.

O impacto psicológico da escolha da bebida também é evidente nas interações de serviço. A pergunta comum e apologética – “A Pepsi está bem?” – serve como um indicador sutil do status percebido da marca em comparação com sua rival. Para muitos viajantes, a disponibilidade da Coca-Cola é uma expectativa básica para uma experiência premium.

Uma tendência crescente em viagens

A Marriott não está sozinha nesta preferência, embora continue a ser uma mudança notável para uma entidade tão grande. No setor de aviação, a maioria das grandes transportadoras – incluindo Delta, American, United, Southwest, Frontier, Spirit e Allegiant – já atendem produtos da Coca-Cola. A JetBlue continua sendo uma exceção notável, mantendo uma parceria exclusiva com a Pepsi estabelecida em 2019.

Embora existam dados limitados para provar que um viajante escolherá uma rede de hotéis em vez de outra com base apenas na marca de refrigerante, a escolha impacta significativamente a satisfação geral do produto e o volume auxiliar.

Para um líder global em hotelaria, alinhar as ofertas de bebidas com as preferências documentadas de 70% da sua base de hóspedes é um movimento estratégico para otimizar a felicidade dos hóspedes e a receita final.

Conclusão
Ao mudar para a Coca-Cola, a Marriott está priorizando a demanda do consumidor e oportunidades de receita com altas margens. Esta transição visa eliminar um ponto menor, mas persistente, de insatisfação dos hóspedes em todo o seu portfólio global.