James Turrell geralmente grita por atenção. Pense na cratera Roden, no deserto do Arizona, ou naqueles Skyspaces perfurados em montanhas e piscinas. O circuito global de arte enlouquece com esse tipo de coisa. Grande. Audacioso. Imperdível.
Depois, há o Straight Flush.
Ele mora no centro de Toronto. O distrito financeiro. Milhares de ternos passam por ela todas as manhãs sem piscar. O trabalho é tranquilo. Cinco altos retângulos verticais de luz montados em uma parede de mármore no saguão de uma torre bancária. Pulso de cores. Malva pastel. Rosa suave. Azul pálido. Eles se movem em um loop tão lento que imita o céu. Ou talvez lâmpadas de lava retrô, dependendo de quão cínico você está se sentindo hoje.
A luz muda constantemente. Cada passagem revela uma nova configuração.
Straight Flush fica no Bay Adelaide Centre. O lobby está aberto em horário comercial, entrada gratuita. Mas você não precisa entrar. O prédio tem janelas de vidro de vinte e oito pés. Você pode vê-lo da calçada, de dia ou de noite.
Fique aí um minuto. Assistir.
Você verá uma cidade obcecada pela eficiência. Pessoas caminhando. Verificando telefones. Ignorando totalmente a mudança de cores. Eles não estão olhando para cima. Eles não estão considerando como a luz deforma a pedra ao seu redor.
A indiferença deles é o seu presente. É raro. Você pode encontrar a peça inteira só para você em uma metrópole global movimentada. Por que ninguém se importa?
A instalação tem seis anos. Por volta dessa época, Drake lançou “Hotline Bling”. O vídeo se tornou viral. Todos notaram a iluminação. Estilo Turrell. Temperamental. Afiado.
Assim, o rapper recebe o crédito cultural pela estética, enquanto a obra de arte permanece no saguão do banco, vigiada por fantasmas e banqueiros.
A luz continua mudando. Os ternos continuam andando. Ninguém percebe.
























