A água não é de graça aqui.

Pelo menos não quando você janta em um restaurante cinco estrelas nas Dolomitas italianas. O Supremo Tribunal de Itália acaba de resolver uma disputa que remonta a 2019, e a decisão é simples: os hotéis não têm de servir água da torneira aos seus hóspedes. Pode parecer mesquinho. Provavelmente sim. Mas legalmente, o hotel venceu.

Veja como chegamos aqui.

Um convidado jantou no Hotel Sassongher em Corpora. Ela pediu água da torneira. O pessoal disse que não. A água mineral engarrafada custa 7€. A mulher ficou furiosa. Ela argumentou que a água é um “recurso natural e um direito humano universal”. Ela comparou isso a lençóis na cama ou sabonete no chuveiro – necessidades básicas de uma estadia. Ela queria 2.700 euros pelo que chamou de danos emocionais e económicos.

O tribunal também disse não a isso.

A lei italiana não obriga os restaurantes a fornecer água gratuitamente. Os locais podem fazer suas próprias regras. Um advogado do hotel explicou que a política deles – como muitos lugares sofisticados – é servir água engarrafada lacrada à mesa. Se o hóspede quisesse água corrente? Os banheiros tinham isso.

“Não há obrigação de fornecer água da torneira”, argumentou o hotel. “Só não no restaurante.”

Isso não é universal. Na Inglaterra, os locais licenciados devem fornecer água potável gratuita mediante solicitação por lei. É um requisito estrito. Mas na Itália quem decide é o mercado.

Então, o que fazemos a respeito?

Eu entendo a raiva do viajante. Eu faço. Pagar por água engarrafada parece errado, especialmente quando ela foi transportada meio mundo para chegar a uma mesa. É confuso pagar por H2O que fica em plástico enquanto a água da torneira flui pelo corredor. Respeito lugares que oferecem água filtrada. É mais limpo, mais barato e menos dispendioso.

Mas isso significa que deveria ser lei?

É aí que minha simpatia esfria. O viajante chamou isso de violação dos direitos humanos. Isso parece um exagero.

Não processamos restaurantes por cobrarem pelo pão. A comida é essencial à vida. A ONU considera isso um direito humano. No entanto, ninguém discute que você tem direito a uma refeição grátis só porque entrou pela porta. A água é diferente, sim. Mas a distinção é tênue. Se estiver com sede, vá até a pia do banheiro. Ou não vá para aquele hotel novamente.

A regulamentação é ruim?

Não necessariamente. Estou bem com a abordagem da Inglaterra. Gosto de regras que obriguem as empresas a considerar o desperdício. Mas exigir água gratuita em todas as jurisdições parece um exagero.

Vivemos em um mundo de escolhas. Se uma política o incomoda, vote com sua carteira. Deixe um comentário. Ir embora. Não espere que uma vitória no tribunal mude o sabor do vinho.

Ou o custo do vidro.